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Futebol
19 Nov 2024 | 10:05 |
Vasco Mendonça considera que a Liga das Nações é pouco relevante. O consultor de Marketing e conhecido adepto do Benfica, no seu espaço de opinião semanal 'Selvagem e Sentimental' no jornal 'A Bola', abordou ainda, tópicos como a sobrecarga de jogos e as lesões de Alexander Bah e Tomás Araújo ao serviço das respetivas seleções.
"A notícia mais interessante que li esta semana pareceu chocar muitos patriotas, mas foi a que mais esperança me deu. Passo a explicar: nove jogadores convocados para representar a seleção de Inglaterra em mais uma pausa do futebol de clubes — que, para os jogadores, é tudo menos uma pausa — anunciaram simultaneamente que não estavam disponíveis para estes dois jogos, por sinal decisivos para as aspirações inglesas nesta competição extraordinária que dá pelo nome de Liga das Nações", começou por dizer Vasco Mendonça.
"Os atletas entenderam que não estavam aptos, apresentaram algumas razões mal explicadas e prepararam-se para viver com a fama temporária de trabalhadores menos árduos ou patriotas falhados, isto até que as redes sociais se esqueçam do assunto ou — qual dos dois períodos mais curto — até que o selecionador interino Lee Carsley e Thomas Tuchel, futuro selecionador de Inglaterra, cheguem à conclusão óbvia de que não têm qualquer hipótese de disputar uma competição de seleções sem Trent Alexander-Arnold, Declan Rice, Bukayo Saka, Cole Palmer ou Phil Foden, para referir apenas alguns dos jogadores que faltaram à convocatória. O que têm em comum? São alguns dos melhores futebolistas da atualidade", destacou.
Vasco Mendonça - Parece-me pertinente, isso sim, que os principais atletas da modalidade assumam a sua vontade sem se sacrificarem como participantes de um Hunger Games futebolístico
"Este texto não é uma defesa da preguiça, nem tão pouco um desabafo contra o patriotismo, ainda que a preguiça seja um atributo manifestamente injustiçado e o patriotismo uma virtude por vezes exagerada. Parece-me pertinente, isso sim, que os principais atletas da modalidade assumam a sua vontade sem se sacrificarem como participantes de um Hunger Games futebolístico, preferindo antes cuidar da sua disponibilidade física e mental quando se preparam para disputar alguns dos jogos mais importantes da sua época desportiva, neste caso na Premier League e na Liga dos Campeões", realçou o consultor de Marketing e conhecido adepto do Benfica
"Se isso não bastar, podemos aprofundar o diagnóstico desta situação atentando ao valor percebido da competição que dá pelo nome de Liga das Nações: um carrossel de jogos de futebol maioritariamente intragáveis, que sobrevivem à conta da necessidade da imprensa em ter alguma coisa para acompanhar e, claro, das apostas desportivas, que seguramente encontram nestes jogos material de sobra para dar lucro à casa. Se é assim, apetece-me perguntar ao capitão Harry Kane, que, a propósito da ausência dos seus colegas, descreveu o imperativo de representar a pátria como se alguém o tivesse chamado para uma guerra: que batalha imperiosa é que a seleção inglesa travou frente à Irlanda ou à Grécia? O apuramento para a primeira divisão da Liga das Nações?", questionou de maneira irónica.
Vasco Mendonça - É bom que os atletas, em especial os melhores, vão lembrando seleções e clubes de que o futebol não é o mesmo sem eles
"Para somar a este absurdo, relembro que a seleção de Inglaterra chegou meritoriamente à final do último Campeonato da Europa disputado nesta modalidade, há apenas quatro meses. É possível que isto seja descrito em alguns fóruns como uma medida da competitividade desta prova. A mim, parece-me uma medida do absurdo. Em suma, o meu espanto é que não tenham sido mais de nove atletas a boicotar a convocatória para a seleção inglesa. Mas lá chegaremos, inevitavelmente. É bom que os atletas, em especial os melhores, vão lembrando seleções e clubes de que o futebol não é o mesmo sem eles",
"Pode o leitor ter interpretado que escrevo este texto irritado após ter lido notícias sobre as lesões de Bah e Tomás Araújo ao serviço das respetivas seleções. E interpreta muito bem. Não tão grave, mas ainda assim preocupante, foi saber que o melhor jogador do atual plantel, Akturkoglu, chegou ao fim do seu jogo na seleção em lágrimas, após ter falhado um penálti decisivo (para quem? Não fazia ideia quando li a notícia, mas suspeitei logo que envolvia o apuramento da Turquia para alguma coisa pouco relevante). Bastou carregar a página web para confirmar que ainda não é desta que a Turquia se apura para a Liga A da Liga das Nações (até nas designações utilizadas, esta Liga é má)", prosseguiu.
"Podem ser patriotas à vontade, mas vamos concordar nisto: o mínimo que se exige às seleções que incluem atletas do Benfica é que ganhem sempre, idealmente de forma folgada, por forma a contribuir para o bem-estar psicológico dos jogadores do clube. Sendo absolutamente egoísta e insensível em relação ao tema, talvez seja azar meu ou alguma precipitação na matemática, mas, exceção feita a um talento absolutamente excecional — Enzo Fernández — tenho alguma dificuldade em perceber a valorização dos atletas do Benfica, enquanto representam o clube, ao serviço das seleções nacionais", concluiu Vasco Mendonça.
Águias atravessam uma transformação profunda desde a chegada do treinador e os números revelam uma realidade que poucos adeptos esperavam
28 Set 2026 | 17:48 |
Marco Silva está a construir um novo Benfica sem grandes alaridos, mas as mudanças promovidas desde a chegada ao comando técnico das águias são cada vez mais evidentes. Apesar de a equipa continuar a contar com uma base de jogadores que já integravam o plantel na temporada anterior, o treinador tem introduzido novas ideias e alterado profundamente as escolhas para o onze inicial, sobretudo no setor defensivo.
A comparação entre os primeiros 14 jogos oficiais de 2025/26 e o mesmo número de encontros da presente temporada permite perceber a dimensão da transformação. Sob a orientação de Bruno Lage e José Mourinho, vários jogadores tinham assumido um papel de destaque, mas a chegada de Marco Silva trouxe novas hierarquias.
Nos primeiros 14 encontros desta temporada, apenas três jogadores que estavam entre os mais utilizados no período homólogo de 2025/26 mantêm esse estatuto: Samuel Dahl, Vangelis Pavlidis e Enzo Barrenechea. Nicolás Otamendi, António Silva, Amar Dedic, Richard Ríos e Franjo Ivanovic saíram, enquanto Andreas Schjelderup - que jogou frente a Portugal - , Fredrik Aursnes e Anatoliy Trubin perderam espaço.
Quando a comparação é feita com o conjunto da temporada anterior, o cenário altera-se ligeiramente. Em vez de três, são quatro os jogadores que permanecem entre os mais utilizados: Dahl, Pavlidis, Barrenechea e Leandro Barreiro. A utilização da dupla João Palhinha e Aursnes, que surgiu pela primeira vez no encontro em Milão e foi mantida no clássico frente ao Porto, é outro exemplo das mudanças introduzidas por Marco Silva, que anteriormente recorria mais vezes a Barreiro e Barrenechea. O técnico tem aproveitado os jogadores que já estavam na Luz e, apesar das mudanças, apenas Clément Lenglet, entre os reforços, aparece no lote dos 11 mais utilizados, com Palhinha a afirmar-se também como uma opção importante.
A revolução de Marco Silva não se resume, contudo, às entradas e saídas do onze. O treinador tem conseguido potenciar jogadores que já faziam parte do plantel, com destaque para Pavlidis, Prestianni e Barreiro, que têm apresentado rendimento acrescido.
Jogador sofreu um problema muscular no adutor ao serviço da seleção e deixou uma explicação que coloca a pouca utilização na origem da questão
28 Set 2026 | 17:26 |
Jakub Kaminski sofreu uma lesão muscular no adutor ao serviço da seleção da Polónia e deixou uma explicação que coloca a pouca utilização sob o comando de Marco Silva na origem da questão. O extremo foi titular no empate 0-0 frente à Bósnia, mas abandonou o relvado aos 25 minutos, depois de sentir dores na região.
J. Kaminski: "Faço tudo o que posso para me manter em forma, mas não é fácil quando te faltam minutos de jogo"
Questionado sobre se a lesão poderia estar relacionada com a falta de minutos, o atacante não escondeu a ligação. "É uma boa pergunta, e tem algo a ver com isso. Quando jogo regularmente, a minha condição física é melhor e sinto-me melhor. Fora do campo, faço tudo o que posso para me manter em forma, mas não é fácil quando te faltam minutos de jogo. O treino é outra coisa", afirmou à TVP Sport.
Kaminski explicou ainda que decidiu sair do encontro assim que percebeu que estava em dificuldades físicas. "Em determinado momento, senti que estava com problemas no músculo adutor e decidi que permanecer em campo só pioraria a lesão", revelou.
O extremo tem procurado ganhar espaço nas escolhas de Marco Silva e recordou o desempenho diante do Milan: "Farei tudo o que puder para dar ao treinador um motivo, como fiz contra o Milan em San Siro, quando marquei e dei uma assistência. Pretendo lutar pelo meu lugar. Essa é a única maneira de provar o meu valor. Os começos costumam ser difíceis, e acredito que no Benfica o melhor ainda está por vir. Estou a desfrutar de cada momento neste clube e estou convencido de que estou a evoluir. Só o facto de representar uma equipa como esta já é um desafio; saber que tenho de estar constantemente pronto para enfrentar a pressão dá-me força. Gosto destes desafios e dou-me tempo para ganhar mais minutos. A paciência e o trabalho duro são fundamentais", disse.
Apesar da concorrência, garante que continua determinado a conquistar o seu espaço: "Todos querem jogar, todos querem minutos, e a qualidade dos jogadores é enorme. Este é o balneário mais forte em que já estive", reconheceu. O polaco terá agora de recuperar do problema no adutor, depois de admitir que a reduzida utilização no Benfica, onde procura convencer Marco Silva, poderá ter pesado na condição física que apresentou.
Jogador tem demonstrado fragilidades neste aspecto do jogo, o que faz com que treinador tenha mais cautelas com oportunidades
28 Set 2026 | 17:02 |
Souffian El Karouani ainda tem aspetos a melhorar no Benfica. Segundo o Correio da Manhã, Marco Silva tem puxado pelo atleta a nível físico, mas sobretudo corrigir determinados posicionamentos defensivos, confirmando assim um Exclusivo Glorioso 1904 do passado dia 16 de setembro.
O novo jogador esteve nos Países Baixos, onde desenvolveu grande parte da carreira. O contexto competitivo neerlandês é conhecido pela valorização da componente ofensiva e pela liberdade dada aos laterais para participar na construção e no último terço, algo que ajudou El Karouani a apresentar números de destaque nas assistências para golo.
No entanto, a realidade encontrada na Luz é diferente. Marco Silva pretende que o lateral seja mais consistente nos momentos sem bola, aumentando o compromisso defensivo e a capacidade de cumprir as tarefas exigidas pela equipa.
Apesar da qualidade que El Karouani já demonstrou no capítulo ofensivo, o treinador do Benfica entende que o jogador precisa de se adaptar a uma nova realidade. Na Luz, a exigência é superior e todos os elementos têm de apresentar maior equilíbrio entre aquilo que fazem com e sem bola.
A ideia passa por potenciar as suas qualidades ofensivas sem descurar um capítulo considerado fundamental no modelo de jogo. El Karouani tem, assim, pela frente um período de adaptação ao futebol português e às exigências da equipa.